dar certo

Quero muito que dê certo, mesmo sabendo que as coisas podem não dar.

Mas o que exatamente é “dar certo”?

Deixar fluir, o que for pra ser será. Devo interferir? Tenho poder sobre a vida ou ela tem poder sobre mim? Sou mesmo um sujeito agente ou estou a deriva neste oceano de situações, ações e emoções?

Caminhei por quadras, ruas, nem sei quantas. Cansada, parei. “Respire fundo, você sabe o que fazer”. Você sabe mesmo o que fazer?

Às vezes ninguém sabe o que fazer.

Segui andando, é importante não estar parado. Segui, mesmo sem saber para onde ia, mas em algum lugar eu pararia. Casas, prédios, pessoas, luzes, sons. Uma parafernalha de sentidos irrompendo sobre mim, e eu sendo somente eu, e mais nada.

Estava no alto, apoiada naquele muro, observando os carros que passavam em alta velocidade. Metros de altura me separavam daquele chão de piche: quente, áspero e sujo. Será que a morte era assim? 

Eram tantos pensamentos em sua mente que ela nem sabia mais o que pensava. Estava presa num espaço-tempo alucinante, sem movimento, sem ação e reação, mas somente uma inércia estática. Aquilo era angustiante, mas queria viver ali, daquela maneira, para sempre. Melhor assim do que tomando decisões cheias de incertezas. A dúvida é mais segura quando se há o medo da realidade. 

Devo fazer isto ou não? Como terei certeza se não fazer?

Pensou em tantas coisas, na vida inteira. Esqueceu-se que tinha um corpo cansado em si. Seu físico estava acabado, mas a mente ainda funcionava a todo vapor, na maior das intensidades. Estava tomando as maiores decisões da sua vida ali e agora, no ambiente mais improvável possível, do jeito mais confuso e inesperado. O ímpeto da vida nasceu e cresceu ali mesmo, em segundos. Agora tudo fazia sentido, mesmo sem ter algum. Agora sabia exatamente o que fazer, até o fim.

Naquele momento sentiu coragem para fazer absolutamente todas as coisas, e realmente as faria. Certezas não possuía, ela as criaria.