conflito
É desesperador não ser você mesmo. Primeiramente, tudo
parece normal, como se realmente estivesse agindo como deseja, como se
estivesse mostrando ao mundo seu verdadeiro eu.
Porém, aos poucos, o esclarecimento vem. Lentamente vai
percebendo que algo está errado, mesmo que não saiba o que. E, quando reconhece
que você é o próprio erro, o sofrimento é maior que tudo. Quem sou eu? O que
realmente sou? Por quê sou assim?
Nada mais parece fazer sentido: você nunca foi você.
O tempo se faz necessário. São dias e mais dias para
descobrir-se. Talvez anos. Muitas vezes irá se perguntar de que tudo isso
adianta. Por que teve de reconhecer esta situação, se tudo era tão tranquilo
anteriormente? Por que agora, buscando seu verdadeiro eu, parece estar mais
infeliz do que antes? Perguntas são inevitáveis, porém nem sempre relevantes.
Antes era tudo uma ilusão, antes não havia o que há hoje.
Tranquilidade nem sempre é sinônimo de que tudo está correto; há tranquilidades
que mascaram grandes conflitos. Antes você parecia feliz, porque não sabia que
poderia ser muito, mas muito feliz, realmente feliz.
Você não tem culpa. Muitas coisas acontecem apenas por
acontecer, sem motivos certos. Poucas vezes temos real oportunidade para
decidirmos conscientemente o que queremos, e devemos aproveitar tais
oportunidades. Toda essa situação, toda essa descoberta dolorosa, porém
libertadora, é um grande exemplo. Assim que se descobre, só há duas opções: ou
permanecer o mesmo, porém com uma enorme angústia interna, um desejo de mudança
que sempre estará presente, ou enfrentar seu próprio eu, batalhar consigo mesmo
para construir a si mesmo.
Quanto mais cedo, melhor, mas, se tarde, não há
impossibilidades. A descoberta de si próprio é marcante, é revolucionária; é
ver o mundo inteiro se modificar, sendo que ele continua o mesmo. Você muda,
tudo muda; nada mais será o mesmo.
O pássaro está preso na gaiola. Percebe que a porta não
está trancada, mas não deseja sair dali. O conforto, um lugar pronto para
ficar: tem tudo o que precisa. Mas será mesmo que o que realmente necessita
está ali?
Assim que sai, voando mundo afora, reconhece a verdadeira
liberdade. Um pássaro tem asas para que possa voar.