cai a lua

Cai a lua. Cai para nossos céus, iluminando a escuridão sem fim. Acompanhada das estrelas, como notas musicais presas no ar. O céu é uma melodia.

A noite de tantos sentimentos. Do passeio dos amantes logo após o anoitecer à triste solidão do deprimido pela madrugada. A noite que esconde em si tantos mistérios, dúvidas, interrogações; um céu cheio de possibilidades insolucionáveis. 

A lua que já escutou tanto, das juras impensadas aos mais profundos sentimentos desabafados. As estrelas que guardam em si tantos desejos e pedidos. O céu anoitecido é o retrato de nós mesmos, é o interior mais profundo, os sentimentos mais íntimos, as palavras que não conseguimos pronunciar.

Com o olhar fixo nos céus, pensa conversar com o universo. Mas conversa consigo mesma. O pensamento cheio, assim como o coração; ambos abarrotados de coisas que nem saberia descrever. Aquele é seu momento, ela com ela mesma. Sua face refletida na delicadeza clara da lua, o brilho do olhar cravado nas estrelas. 

Sonha, e pede para que tudo se realize. Chora e sorri, pois crê que, algum dia, aquele céu, esteja limpo e estrelado ou nublado e com suas luzes obscurecidas, irá lhe presentear com o que precisa. Ele a compreende mais do que ninguém, e certamente saberá qual o melhor momento para realizar todos aqueles desejos.

O cair da lua é a esperança. Algo irá mudar, não importa o quanto tempo levar. Pode passar anos, décadas, uma vida, mas ainda sim verá a beleza das luzes no céu, no brilho da lua e das estrelas, na promessa que cada uma delas leva em si. 

O que sente é o mais importante. Se viver ou morrer, esteja como estiver, quer apenas a oportunidade de observar uma das mais puras belezas que a natureza lhe proporciona. Quer apenas sonhar com o inalcançável, expor seus pensamentos, sentir sem barreiras, da forma mais verdadeira o possível.

A lua cai, e as estrelas a acompanham, junto com o que há em seu interior.