desistiu

Desistiu de si mesma. 

Não quer a morte, mas também não quer a vida. Quer apenas o inesperado. 

Desistiu de ser o que quer ser, pois muitas vezes o mundo não permite nossos próprios desejos. Por que desejar o que nunca poderá acontecer? É doloroso demais. Sendo assim, melhor nem desejar. 

Desistiu de pensar demais nas coisas. Quer? Faça logo de uma vez, antes que se arrependa, antes que caia em mais pensamentos negativos, antes que deixe de fazer por motivos sem lógica. Não quer? Assuma, não faça. Não se importe com a opinião dos outros, eles não sabem tudo o que se passa em seu interior, e também não querem saber. 

Desistiu de viver no mesmo mundo que os outros vivem. Quer viver seu mundo. Ela quer viver no seu mundo, no qual também não faz a mínima questão de viver. É um paradoxo existencial: quer, mas não quer. Desistiu de tudo, até mesmo de desistir. 

Está a deriva. Não quer saber o desfecho de nada, nem o que causou certas situações; quer saber o mínimo possível, para tudo. Está somente à espera de qualquer coisa que seja. A única decisão que tomou foi a de ter nenhuma decisão. Está presa no ciclo ininterrupto que é a existência, e tudo o que ela pode trazer consigo. 

A desistência é, agora, a alma de sua essência.