cabo de guerra

Somos duas pessoas disputando quem merece mais. Quem merece mais amor, quem sente mais dor, quem merece o perdão do outro. 

Por que sentimos este desejo incessante de estar perto, se o resultado é sofrimento? Seria uma necessidade da dor, do sentimento de estar sempre no fundo, em uma situação que demande a compaixão e piedade? É a necessidade de sentir se fraco para poder culpar o outro? 

São as nossas necessidades individuais falando mais alto. Dizemos que precisamos um do outro, como se fossemos morrer se nos separássemos; mas é porque precisamos de um apoio humano, físico, emocional. Apoiando nossas emoções um no outro, e faremos isso até quando um de nós se despedaçar.

É como uma corda que, de tanto ser puxada, um dia irá arrebentar. E ninguém irá querer reconstruí-la, pois reconstruir será uma humilhação, uma demonstração de culpa. Eu fui a causadora de todos os problemas. Eu que a puxei mais. Eu a arrebentei. 

Não largamos. Fingimos que deixamos ir, mas o outro nunca irá, porque quer continuar a disputa. É um desejo inexplicável por querer saber quem irá acabar com tudo, e quem será a pessoa que será a vítima, a que irá sofrer pelo fim. 

O fim está longe; é inimaginável. Ninguém quer o conhecer por vontade própria. Estamos acostumados a conhecê-lo por intermédio de outros, contra nossa vontade. 

Se ele chegar, será pelo desgaste, pelo sacrifício mútuo. A corda irá arrebentar.